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PL 2338 em 2026: a situação do marco legal da IA e o que preparar na sua empresa

Resposta rápida

O PL 2338 2026 ainda não é lei: o projeto do marco legal da IA, aprovado pelo Senado, aguarda parecer na Comissão Especial da Câmara, sem data confirmada de votação. Quem usa IA por dentro da empresa não precisa esperar o texto final para agir. Inventário das ferramentas, aviso claro ao cliente e revisão humana nas saídas já valem hoje, com a LGPD.

Publicado em Atualizado em 8 min de leituraEquipe Mentrun

A Agência Pomar (fictícia, 22 pessoas) usa IA em quatro lugares: resumo de reuniões, rascunho de relatório, busca nos documentos e um agente que organiza tarefas. Na segunda-feira, um cliente pergunta por e-mail: “vocês usam IA nos nossos dados? Qual, para quê e quem revisa?”. Ninguém responde sem abrir quatro contas diferentes.

Responder isso com segurança já é boa prática hoje, e não depende de nenhuma lei nova. Este texto mostra onde o projeto de lei está, o que já vale e um checklist de 10 itens para copiar. Ele não prevê o texto final, porque ninguém sabe qual será.

Onde está o PL 2338 em outubro de 2026?

O PL 2338/2023 é o projeto do marco legal da inteligência artificial. O Senado aprovou o texto e ele foi para a Câmara, onde uma Comissão Especial, presidida pela deputada Luisa Canziani, tem como relator o deputado Aguinaldo Ribeiro. O projeto aguarda o parecer do relator e não tem data de votação marcada.

Antes de basear uma decisão no andamento, confira a ficha de tramitação no site da Câmara. O projeto não é lei, e o texto ainda pode mudar na Câmara, então qualquer lista de obrigações futuras é hipótese.

Preciso esperar a lei para começar?

Não. Existe base suficiente hoje para agir: a LGPD, que desde 2018 pede transparência, segurança e responsabilização no tratamento de dados pessoais, o direito de pedir revisão de decisões tomadas só por tratamento automatizado e a fiscalização da ANPD, que incluiu IA entre as frentes do Mapa de Temas Prioritários 2026–2027.

  • Transparência (art. 6º, VI, da [LGPD](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm)): a pessoa tem direito a informação clara sobre o tratamento. Se a IA lê a reunião dela, ela precisa saber.
  • Segurança e prevenção (art. 6º, VII e VIII): medidas para evitar acesso indevido e dano. Colar dado de cliente numa conta pessoal de IA vai na direção contrária.
  • Responsabilização (art. 6º, X): a empresa precisa conseguir mostrar o que faz. Inventário e registros são essa prova.
  • Revisão de decisão automatizada (art. 20): quem foi afetado por decisão tomada só por tratamento automatizado pode pedir revisão. Saída de IA que afeta uma pessoa pede olho humano.
  • Fiscalização: o Mapa de Temas Prioritários da ANPD para 2026–2027, aprovado em dezembro de 2025 pela Resolução CD/ANPD nº 30/2025, traz IA como uma das quatro frentes. Os documentos estão no portal da ANPD.

Os papéis de controlador e operador e o que o contrato precisa dizer estão no guia de LGPD para agências. A página sobre ANPD como agência reguladora conta o que mudou na autoridade em 2026.

O que dá para preparar sem saber o texto final?

Quatro hábitos servem a qualquer versão do texto e já respondem ao cliente que pergunta: inventário do que a empresa usa, transparência, revisão humana e registro. Cada um cabe em uma semana de trabalho de uma pessoa, e juntos formam a base de qualquer política de IA.

  1. 1

    Inventário

    Liste toda ferramenta e todo uso de IA: ferramenta, para quê, que dados entram, quem usa e se a conta é da empresa ou pessoal. Pergunte ao time, porque a conta pessoal quase nunca aparece sozinha.

  2. 2

    Classificação dos dados

    Para cada uso, marque se entra dado pessoal, dado de cliente sob sigilo ou só texto sem identificação. A regra de 3 cores resolve isso em uma tabela.

  3. 3

    Transparência

    Escreva, no contrato ou no escopo do serviço, que a empresa usa IA, para quê e que há revisão humana. A política de uso de IA traz o texto-base.

  4. 4

    Revisão humana

    Defina quem confere cada saída antes de chegar ao cliente e quais decisões nunca saem só da IA: avaliação de pessoa, corte de serviço, cobrança.

  5. 5

    Registro e responsável

    Nomeie uma pessoa dona do inventário e marque uma revisão por trimestre. Sem dono, a lista envelhece em um mês.

Checklist “pronto para o marco da IA” (10 itens, copie e use)
CHECKLIST: PRONTO PARA O MARCO DA IA
Empresa: ____  Responsável: ____  Data: ____  Próxima revisão: ____

INVENTÁRIO
[ ] 1. Lista de todas as ferramentas de IA em uso (inclusive contas pessoais que o time usa)
[ ] 2. Para cada uma: finalidade, dados que entram, quem usa, conta da empresa ou pessoal
[ ] 3. Fornecedores e onde processam os dados (leia os termos de cada um)

DADOS
[ ] 4. Regra de cores (verde, amarelo, vermelho) escrita e conhecida pelo time
[ ] 5. Dado pessoal e dado sob sigilo de cliente só em conta da empresa

TRANSPARÊNCIA
[ ] 6. Texto no contrato ou no escopo do serviço: usamos IA, para quê, com revisão humana
[ ] 7. Aviso de gravação e de análise por IA nas reuniões (convite e abertura)

REVISÃO E RESPONSABILIDADE
[ ] 8. Quem revisa cada tipo de saída antes de ir ao cliente
[ ] 9. Lista de decisões que nunca saem só da IA, com quem decide

REGISTRO
[ ] 10. Uma pessoa dona do inventário, com revisão marcada a cada 3 meses e a data da última revisão no documento

Como isso fica numa agência de 22 pessoas?

A Agência Pomar (fictícia) fez o inventário em uma tarde, com 30 minutos de conversa por área. O resultado coube em uma tabela de quatro linhas e já respondeu à pergunta do cliente.

Inventário de IA da Agência Pomar (fictícia)
UsoDado que entraQuem revisa antes de sairO que o cliente é avisado
Resumo de reunião com clienteTranscrição com nomesQuem conduziu a reuniãoReuniões são gravadas e analisadas por IA
Rascunho de relatório mensalNúmeros agregados da contaGerente da contaIA ajuda no rascunho; o gerente assina
Busca nos documentos internosProcessos da agênciaQuem pergunta confere a fonteNada, não envolve dado do cliente
Agente que organiza tarefasTítulo e prazo das tarefasGestor confirma a sugestãoNada, uso interno

Duas descobertas valeram o exercício: dois analistas usavam conta pessoal de IA para rascunhos, e ninguém tinha escrito quem confere o relatório. Ambas viraram regra em uma página.

Como registrar o uso de IA no Mentrun?

O inventário, a revisão humana e o registro têm onde morar dentro da operação. No Mentrun, o caminho é este:

  • Uso por área, dia e pessoa: em Empresa › Integrações, o painel Uso da IA mostra quanto a IA trabalhou no mês, por área, dia e pessoa.
  • Revisão humana embutida: sugestões da IA, como criar tarefa a partir dos próximos passos da reunião, só valem depois que uma pessoa confirma. Quando o Assistente faz por você, ele mostra a prévia e só muda algo ao tocar em Aplicar, com Desfazer.
  • Fonte em cada resposta: o Assistente no modo Minha empresa cita a fonte e só mostra o que o cargo de quem pergunta pode ver. Veja o Assistente de IA.
  • Registro de quem fez o quê: em Empresa › Histórico de atividades, o registro guarda por 24 meses, sem que ninguém apague, o que pessoas, automações e o Claude conectado fizeram, com a origem de cada mudança.

Quais erros atrasam a preparação e como corrigi-los?

Os atrasos quase sempre vêm de cinco hábitos, e todos têm conserto simples. Em geral, o problema é começar tarde ou fazer o trabalho só no papel.

  • Esperar o texto final. A LGPD e a fiscalização da ANPD já pedem transparência e segurança. Faça o inventário agora e ajuste depois.
  • Inventariar só as ferramentas pagas. O uso real está nas contas pessoais. Pergunte por área e prometa que a conversa é para organizar, não para punir.
  • Política que ninguém lê. Uma página, com exemplos de cada cor de dado, e uma confirmação de leitura do time. Revise a cada trimestre.
  • Revisão humana só no papel. Escreva quem confere o quê, em que momento e o que faz com o erro. “O gestor revisa” não é um processo.
  • Prometer ao cliente o que a empresa não faz. O texto de transparência descreve o uso real do inventário, nada além.

O passo a passo de implantação, em 90 dias, está em como implementar IA na empresa, e os riscos de deixar um agente agir sozinho, em agentes de IA para empresas.

Perguntas frequentes

O PL 2338 já foi aprovado?

Não é lei. O Senado aprovou o texto e ele tramita na Câmara, em Comissão Especial, aguardando o parecer do relator. Enquanto isso, valem a LGPD e a fiscalização da ANPD.

Quando o PL 2338 deve ser votado?

Não há data marcada. O projeto, já aprovado pelo Senado, aguarda o parecer do relator na Comissão Especial da Câmara. Acompanhe a ficha de tramitação no site da Câmara.

O que o PL 2338 exige das empresas?

Depende do texto final, que ainda pode mudar na Câmara. A versão do Senado organiza obrigações por grau de risco e prevê uma autoridade de fiscalização. Hoje, as obrigações de quem usa IA com dado pessoal vêm da LGPD.

Uma agência que usa ChatGPT precisa de política de IA?

Nenhuma regra manda ter um documento com esse nome, mas a LGPD pede segurança e prestação de contas. Uma política de uma página, com inventário e regra de cores, é a forma prática de cumprir isso e de responder ao cliente.

Quem fiscaliza o uso de IA no Brasil hoje?

Para o tratamento de dado pessoal por sistemas de IA, quem fiscaliza é a ANPD, que incluiu IA entre as frentes do Mapa de Temas Prioritários 2026–2027. Não existe ainda uma lei geral de IA em vigor.

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Teste o Mentrun por 7 dias, sem cartão, e veja o uso da IA por área e por pessoa, com a fonte em cada resposta do Assistente.

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Fontes